sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Tudo

Você pode passar a vida tentando estudar o modo que as pessoas andam ou falam.
Você pode passar dias observando o mesmo lugar ou minutos olhando para um só ponto e descobrir coisas únicas.

Pode escrever palavras de trás pra frente e tentar decifrar enigmas inexistentes, somar os algarismos da sua idade com os da pessoa que você ama e tentar encontrar algo com nexo ( que na verdade não tem) ou pode tentar entender as manias de outras pessoas...



Se nós conseguimos pensar em tudo olhando pro nada, somos capazes de tudo.Pode parecer a coisa mais ridicula do mundo para os demais, mas pode ter certeza que para alguém é tudo.


Tudo. O que seria tudo? Se levamos ao pé da letra, significa: a totalidade, a universalidade de coisas e pessoas ..


Mas qual a essencia? quais as raizes? qual o sentimento unico?
Você começa a pensar na vida e vê que as coisas mudam sim. Essa busca constante de felicidade não é só encontrar a tampa da panela, o amor da vida.
O ser humano padroniza os "tudos", unifica, coloca palavras e metas na boca de todos quando se trata disso.

Porque felicidade é importante sim, mas o meu "tudo" pode ser passar a vida tentando estudar o modo que as pessoas andam ou falam.
Ridiculo? não, apenas o tudo de algum ser humano por ai.

simple past

Minha mãe dizia que se eu colocasse uma concha da praia no ouvido, poderia ouvir o som do mar.. eu acho que eu ouvia...

Gostaria que tudo fosse assim... Poderia pegar aquela bola de futebol surrada embaixo da cama e por no ouvido e escutar o barulho da mulecada na rua, das risadas e toda a inocência de 10 anos atrás..

Poderia ouvir as conversas da época do primario, sem malicias, diversão com coisas simples ao pegar o caderno mofado no meio das tranqueiras do meu pai.

Eu poderia ouvir também coisas que jamais ouvi, pegando meu famoso "bitô" e escutar meu avô falando comigo aos meses de vida ou me dando comida na boca antes de falecer...

Seria ótimo ter uma lembrança constante para nos emocionar ou alegrar em momentos que a tristeza invade nossa casa.
Seria ótimo pegar qualquer objeto, colocar no ouvido e passar horas de olhos fechados somente ouvindo, somente sentindo.

Sim, dariamos mais valor, seriamos menos ingratos, pois somos egoistas. Precisamos de objetos para que algo seje lembrado, pois se deixarmos por conta do cérebro, não paramos um dia se quer por causa da rotina para agradecer, para relembrar.

Se o passado foi ruim, é importante lembrar para valorizar mais o presente, porque relembrar é viver.



Minha mãe dizia que se eu colocasse uma concha da praia no ouvido, poderia ouvir o mar... Eu Ouvia!


Carolina Monteiro